Internet e eSIM: a menor linha do orçamento

Menos de 1% do total da viagem. É também a linha que faz todas as outras funcionarem — e onde errar custa de dez a trinta vezes o que custa acertar.

O — ORGANIZAR

Elis Paulino

9/14/20266 min read

Numa viagem de R$ 15.000, a internet custa entre R$ 60 e R$ 380. É a menor linha do orçamento — menos que uma refeição decente em Tóquio. E ainda assim ela merece um artigo, porque é a única em que a decisão precisa ser tomada antes de embarcar e em que o erro não é proporcional ao valor: uma configuração esquecida no celular pode gerar uma fatura de milhares de reais.

Placa em Seul com a distância até Brasília e o Rio, janeiro de 2024. Dezoito mil quilômetros de casa é onde a conexão deixa de ser conforto.

Quanto ela pesa

Linha · Viagem de 12 dias à Coreia

  • Passagem aérea — R$ 5.000 a R$ 8.500

  • Hospedagem — R$ 1.140 a R$ 6.840

  • Alimentação — R$ 900 a R$ 4.560

  • Transporte local — cerca de R$ 360

  • Internet / eSIM — R$ 114 a R$ 152

Entre 0,4% e 1,3% do custo total. Ou seja: aqui não se economiza dinheiro relevante. Aqui se evita um prejuízo e se garante que os outros 99% funcionem.

As quatro formas de ter internet

Opção · Como funciona · Para quem

  • eSIM — Chip virtual, instalado por QR code antes de viajar · Quem viaja sozinha ou em dupla, com celular compatível

  • Chip físico local — Comprado no aeroporto de chegada, com passaporte · Celular sem eSIM ou bloqueado de operadora

  • Pocket wifi — Roteador portátil alugado, conecta vários aparelhos · Família ou grupo de 3 ou mais que anda junto

  • Roaming brasileiro — Pacote da sua operadora, mantém o número · Quem já assina o pacote mensal

Preços reais

Valores de setembro de 2026, convertidos a USD 1 = R$ 5,12, sem contar o IOF de 3,5% que incide sobre compras em dólar:

eSIM (Coreia ou Japão) · 7 dias · 15 dias · 30 dias

  • Ilimitado, faixa de mercado — R$ 128 a R$ 149 · R$ 174 a R$ 259 · R$ 251 a R$ 379

  • 10 GB, plano limitado — — · — · R$ 72 a R$ 97

  • 5 GB, plano limitado — — · — · R$ 51 a R$ 56

  • 3 GB, plano limitado (Japão) — — · — · R$ 36 a R$ 41

A conta que quase ninguém faz: 10 GB por 30 dias custa cerca de R$ 72 — metade de um plano ilimitado de 7 dias. Para quem usa mapa, mensageiro e rede social (não streaming), 10 GB cobrem duas semanas com folga. O "ilimitado" quase sempre é mais plano do que necessidade.

Outras opções · Preço

  • Chip físico no aeroporto de Incheon, 7 dias ilimitado — cerca de R$ 132

  • Chip físico no aeroporto de Incheon, 30 dias ilimitado — cerca de R$ 270

  • Chip físico no Japão, planos de dados — R$ 64 a R$ 325

  • Pocket wifi na Coreia (até 10 aparelhos) — cerca de R$ 17 por dia

  • Pocket wifi no Japão — R$ 14 a R$ 71 por dia, mais seguro e frete

  • Roaming avulso das operadoras brasileiras — cerca de R$ 60 por dia

  • Pacote mensal de roaming (Vivo ou Claro, fidelizado) — cerca de R$ 30 por mês

O número que resume tudo: sete dias de roaming avulso custam cerca de R$ 420. Sete dias de eSIM ilimitado custam R$ 128. O roaming avulso sai mais de três vezes mais caro.

Duas exceções honestas: quem já assina o pacote mensal de roaming da Vivo ou da Claro por cerca de R$ 30 tem o melhor custo absoluto de todos, desde que a franquia diária baste. E o pacote de 30 GB por 30 dias da TIM, perto de R$ 300, compete com os eSIMs ilimitados de 30 dias e ainda mantém o número brasileiro ativo.

Qual compensa para você

Quem viaja · Melhor opção · Por quê

  • Sozinha — eSIM · Sem ninguém para dividir, o pocket wifi perde a vantagem e ainda vira mais um aparelho para carregar

  • Casal — Dois eSIMs · O pocket wifi sai um pouco mais barato no papel, mas obriga os dois a andarem sempre juntos

  • Família ou grupo de 3+ — Pocket wifi · Numa família de quatro, no Japão, o pocket wifi compartilhado custa cerca de R$ 387 contra R$ 883 em quatro eSIMs — 56% de economia

O ponto de equilíbrio é três pessoas que andam juntas. Se o grupo se divide durante o dia, volta a valer eSIM individual. A melhor estratégia para família costuma ser híbrida: um pocket wifi compartilhado mais um eSIM barato de 3 a 5 GB (R$ 36 a R$ 56) no celular de quem pode se separar do grupo.

Antes de comprar: seu celular aceita eSIM?

Leva dois minutos, e evita descobrir isso no aeroporto:

Aparelho · Como checar

  • Qualquer Android — Disque *#06#. Se aparecer um número EID, tem eSIM

  • iPhone — Ajustes › Geral › Sobre › procure "SIM Digital" ou "eSIM"

  • Samsung — Configurações › Conexões › Gerenciador de cartão SIM › "Adicionar plano móvel"

Em regra, aparelhos fabricados a partir de 2018 aceitam eSIM: iPhone do 11 em diante, Galaxy S20 em diante, Pixel 2 em diante. Mas há exceções regionais que derrubam gente: iPhones e Galaxy comprados na China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan não têm eSIM — e, curiosamente, a maioria dos Galaxy vendidos na própria Coreia do Sul também não.

O aparelho também precisa estar desbloqueado de operadora. No iPhone, em Ajustes › Geral › Sobre, o campo "Bloqueio de operadora" deve dizer "Sem restrições de SIM".

Se o celular não for compatível, nada se perde: chip físico no aeroporto ou pocket wifi resolvem, e funcionam com qualquer aparelho.

Instale antes, ative na chegada

São duas coisas diferentes, e confundi-las é o erro mais comum:

  • Instalar significa baixar o perfil pelo QR code. Exige internet — faça no wifi de casa, antes de sair.

  • Ativar é começar a contar os dias, e acontece sozinho quando o celular encosta na rede do destino.

Quem não instala antes fica dependendo do wifi do aeroporto de chegada, depois de vinte e tantas horas de voo — e é exatamente ali, com pressa e cansaço, que as pessoas pagam caro por qualquer coisa que funcione.

O erro de R$ 3.000

Este é o motivo pelo qual uma linha de R$ 100 merece planejamento. Configure o celular em dois chips, assim:

Você precisa dele para receber SMS e ligações — token de banco, código do Pix, autenticação em dois fatores. Receber SMS não gera cobrança de dados.

É por ele que todo o tráfego de internet deve sair.

Este é o passo que evita a fatura surpresa. Com o roaming de dados ligado e sem pacote contratado, os aplicativos que rodam em segundo plano são cobrados por megabyte, fora de qualquer tabela.

Teste o app do banco antes de viajar e deixe um segundo método de autenticação configurado. Alguns bancos brasileiros exigem que o aplicativo esteja no aparelho registrado — descobrir isso na hora de pagar a hospedagem é um problema evitável.

Dá para viajar só com wifi gratuito?

Depende da viagem, e a resposta honesta é: quase.

No Japão, há wifi gratuito em aeroportos, estações, conveniências e cafés — mas as sessões das redes de estação duram 60 minutos, boa parte exige cadastro por e-mail, a velocidade despenca em estação lotada e a cobertura cai muito fora das cidades grandes.

Na Coreia, é melhor: Seul tem mais de 35.000 hotspots públicos gratuitos, com boa velocidade. Mas o sinal é instável em ônibus e trens em movimento, e a cobertura cai fora de Seul e Busan.

Os cinco momentos em que só wifi deixa você na mão:

  • Chamar um táxi por aplicativo, que precisa de GPS ao vivo durante a corrida

  • Receber o código de confirmação do check-in por SMS

  • Recarregar o cartão de transporte pelo aplicativo

  • Ligar para emergência, que exige linha ativa

  • Recalcular a rota no mapa quando você muda de ideia no meio do caminho

Regra prática: viagem de 1 a 3 dias com roteiro fechado, o wifi gratuito resolve. Cinco dias ou mais circulando por conta própria, compre dados.

O que colocar na Calculadora

O campo "Internet / eSIM" da Calculadora ROTA® é por pessoa, para a viagem inteira. Um único número resolve:

  • Viagem de até 15 dias, plano de dados limitado: R$ 80

  • Viagem de até 15 dias, plano ilimitado: R$ 200

  • Viagem de 30 dias: R$ 100 (limitado) a R$ 350 (ilimitado)

  • Família de 3 ou mais: R$ 17 por dia de pocket wifi, dividido entre todos

Checklist

  • Checar se o celular aceita eSIM e está desbloqueado, antes de comprar

  • Escolher entre plano limitado e ilimitado com base no uso real, não no medo

  • Comprar e instalar o eSIM ainda no Brasil, no wifi de casa

  • Deixar o chip brasileiro ativo para SMS, com o roaming de dados desligado

  • Definir o eSIM como linha de dados padrão

  • Testar o aplicativo do banco e configurar um segundo método de autenticação

  • Baixar os mapas da cidade para uso offline, como plano B

  • Levar o passaporte se for comprar chip físico — em ambos os países é exigência legal

  • Colocar o valor na Calculadora ROTA®

É a linha mais barata do orçamento, e a que sustenta todas as outras. Resolvê-la antes de embarcar é o que separa chegar e começar a viagem de chegar e começar a resolver problema.

Preços levantados em setembro de 2026 nos sites oficiais dos provedores de eSIM, de operadoras locais e das operadoras brasileiras, convertidos a USD 1 = R$ 5,12, sem o IOF de 3,5%. Preços de eSIM mudam com frequência e há promoções constantes: confira o valor na data da sua compra.

Calcule o orçamento completo

A Calculadora ROTA® junta passagem, hospedagem, internet e o resto — e diz quanto guardar por mês até embarcar.

Usar a Calculadora ROTA® · Entrar na lista de espera